quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Gaita Brasileira na África


O gaitista carioca Jefferson Gonçalves conta sobre sua experiência na África e convida a todos a participar de seu mais novo projeto - por Fernando Xavier 


 Jefferson, você foi convidado três vezes para ir ao Sennegal, onde tocou e ensinou gaita, que lugares tocou, com quem?
A 1º vez foi no ano de 2008 fui eu e Kleber Dias para tocar no Senegal Folk Festival, o convite partiu do Grupo Lé Freres Guissé e da embaixadora do Brasil no Senegal: Katia Gilaberte. No ano seguinte (2009), voltamos para o Senegal fazendo parte do projeto "Raízes", que contou com o apoio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, dessa vez a bailarina Juliana Longuinho fez parte da equipe, fizemos apresentações nos Festivais Kaay Fecc, Sene Folk Fest e ministramos oficinas de dança, gaita e luteria para crianças carentes e estudantes de música. No mesmo ano, ainda pelo projeto Raízes, trouxemos para o Brasil, para à cidade de Nova Olinda, no interior do Ceará, o trio musical senegalês "Les Frères Guissé" e o bailarino Tchebé Bertrand Saky, da École des Sables, localizada em Toubab Dialaw, a cerca de 100 km de Dacar, para oficinas de música e dança africana com as crianças da Fundação Casa Grande.




Em 2010, novamente com o apoio do Ministério das Relações Exteriores, voltamos para ministrar oficinas de formação de formadores em dança em tecido acrobático (Juliana Longuinho), gaita (Jefferson Gonçalves) e

luteria (Kleber Dias), o que permitiu o desenvolvimento de um pequeno atelier de luteria na Escola de Música de Dacar e a continuidade do trabalho com crianças carentes, por meio dos professores senegaleses
que agora se beneficiam dessa formação. Dessa vez aproveitamos a ida para gravar um video clip de uma versão de Asa Branca e a música tema do projeto, que faz parte do meu CD "Encruzilhada".

Fomos muito bem recebidos, nossa música agradava a todos pelas melodias e principalmente pelos ritmos nordestinos. 
Saiba mais sobre o projeto nos links:



Nunca tive notícia de gaitistas daquele país, fico curioso em saber se você encontrou algum por lá...



Engraçado, todos os gaitistas que conheci eram bem amadores, todos tocavam bem intuitivamente, mas um cantor chamado Ismaël Lô fez um arranjo para uma música tradicional Senegalesa chamada Tajabone e

ficou muito famosa, toquei essa música com o grupo Les Fréres Guissé no Senegal Folk Festival e na primeira nota da melodia o público vinha abaixo, as vezes andando pelas ruas eu pegava a gaita e tocava a melodia de Tajabone, e logo aparecia alguem cantando e sorrindo, era muito divertido! 

O único gaitista profissional que conheci no Senegal foi o Damien Masterson, inglês que roda o mundo pesquisando música, ele já esteve aqui no Brasil, morou em São Paulo e gravou um CD muito bom, ele fala várias línguas e além de grande músico  é uma pessoa incrivel, fui na casa dele no Senegal e passamos algumas horas tocando e conversando muito, foi uma tarde muito boa!



Da sua bagagem musical, você deixou por lá diversas coisas, pois conte o que trouxe desta viagem?

Muitas histórias e momentos felizes tenho registrado em minha cabeça e coração, foram viagens incríveis, cada ano era um local diferente e pessoas diferentes que conhecia, conheci vários músicos, artistas e principalmente as pessoas que trabalhavam com a gente, que hoje considero amigos, apesar de não falar a mesma língua, a sintonia foi ótima, fui muito bem recebido, sinto saudades desse tempo e pretendo voltar. 

Voltei com muitos instrumentos de percussão que hoje são usados nos meus shows e gravações e principalmente tive uma lição de vida muito grande, falo com absoluta certeza que conhecer um pedaço da África foi ótimo para meu amadurecimento musical.


O que você nunca esquecerá?


Lembro de um dia, que estava na ilha de Goré e fui abordado por um artista/músico querendo vender seus trabalhos, ele arranhava inglês e em determinado momento falou que tocava percussão, puxou do bolso
um instrumento que eles chamam de maracas senegalesas e começou a fazer um groove muito bom, puxei minha gaita do bolso e ficamos tocando por um tempo, no final ele me deu as maracas e passou o e-mail
dele para enviar as fotos, dei meus cds de presente e me despedi, voltei para o Brasil e depois de muito tempo toca o telefone da minha casa, quando atendo escuto uma voz muito rouco com um inglês muito
ruim falando que era o meu amigo senegales que estava esperando as fotos e que tinha adorado minha música, ele chegou a cantarolar umas melodias do CD, fiquei super feliz e quando desliguei o telefone foi
que tive noção do que a gaita já tinha proporcionado para mim, isso realmente não tem preço!


Você irá lançar um DVD, conte um pouco e diga como os interessados poderão participar do projeto...


Estou com o projeto para gravar meu primeiro DVD, minha idéia é fazer um produto com qualidade e tentar colocar alguns registros das minhas viagens pelo Brasil e pelo mundo no making off, para isso sair do modo
que eu quero é necessário um investimento alto de dinheiro e como sou independente resolvi entrar no sistema de 'crossfunding', na verdade isso nada mais é que um sistema colaborativo de investimentos de
pessoas jurídica e física, ou seja, os amigos e fans apoiam o projeto. Para saber o valor das cotas e o que recebe em troca do apoio, acesse o link: http://www.sibite.com.br/Projeto/ProjetoDetalhe.aspx?IdProjeto=190

Fotos: Juliana Longuinho

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